Ano passado tive a feliz oportunidade de passar uma semana em uma pequena fazenda de produtores de queijos orgânicos na Holanda, graças a uma amiga que estava fazendo um estágio por lá. Foi com certeza uma das experiências culturais mais fantásticas da minha vida, especialmente do ponto de vista gastronômico. Sentar para tomar café-da-manhã depois da ordenha, e ter a disposição queijo recém-tirado da “adega”, manteiga fresca, e leite que eu mesmo havia acabado de ordenhar, era algo que me proporcionava uma sensação plena de felicidade e bem-estar .
Fiquei absolutamente encantado com o sabor e a vida do leite cru, e me impressionou o fato de que, apesar de sempre ter tido intolerância com lácteos em geral, não tive problema algum durante toda minha estadia na fazenda. Isso por que eu tomei leite a beça, para não falar na quantidade de queijos que eu comi ( afinal, não é sempre que se tem queijo dessa qualidade, e “avonts”).
A partir de então, passei a compreender melhor o porquê de toda a briga pela legalização da comercialização do leite não-pasteurizado (cru), que acontece particularmente nos EUA.
O debate já rola a alguns anos, e parece não chegar ao fim. A discussão é bastante controversa, e não faltam pela internet, blogs, artigos, vídeos e campanhas defendendo a causa do leite cru. Cada estado norte-americano adota hoje uma postura diferente (ver aqui), e inclusive é comum encontrar quem percorra centenas de quilômetros para buscar o leite em estados vizinhos onde a venda é permitida. Também se tornou bastante comum, quando permitida, a prática de herd share, onde se compra uma cota da vaca, cabra ou ovelha do produtor, em troca de parte do leite produzido pelo animal.
No meio de tanta polêmica fica difícil saber quem tem a razão e filtrar o que é de fato verdade. Enquanto de um lado, orgãos públicos norte-americanos fazem um verdadeiro terror sobre o consumo do leite não pasteurizado, tratando como uma verdadeira ameaça a saúde da população, defensores da causa alegam que o líquido pode curar autismo, câncer e até Aids.


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O avanço da indústria no século XX, após a 2ª Guerra Mundial, permitiu progressos inestimáveis à Economia, o que possibilitou o aumento da produtividade e do consumo. Se esse processo gerou inquestionável desenvolvimento socioecônomico, criou também efeitos colaterais antes desconhecidos pela sociedade. A industrialização da alimentação, apesar de ampliar a variedade e reduzir a desnutrição em várias partes do mundo, gerou igualmente uma produção descontrolada, incrementando a difusão da obesidade, entre outras doenças, e maus comportamentos. O motivo? Industrializamos alimentos demais, em geral sem qualidade. O fast-food é um exemplo perturbador desse processo.



Em um mundo onde vivem 6 bilhões de habitantes, o alimento se tornou algo industrial, tal como os bens de consumo, criando através da nossa necessidade, um sistema de produção de alimentos que prejudica nossa saúde e transforma o meio ambiente. Parece não haver saída para este grave problema, talvez o controle de natalidade, talvez maior fiscalização e rigor com as grandes fabricante; incentivos governamentais aos produtores orgânicos. Há uma serie de opções para a redução de uma demanda descontrolada por comida destrutiva, porém o que certamente pode fazer a diferença, somos nós mesmos, apoiando os produtos que partem de um cultivo consciente.
Nesta tarde, terminei de ler o livro 



Ontem me surpreendi com um novo restaurante,